quarta-feira, 3 de junho de 2009

Pulando o muro

Desde pequena sempre fui muito moleca. Acho que pelo fato das minhas irmãs serem muito mais velhas que eu e por brincar mais com meus irmãos. Não que meus pais não tentassem me mudar... Ganhava bonecas e as rabiscava de caneta, pra depois jogá-las no fundo do armário. Lembro de duas delas: uma fazia "Smack" quando vc apertava os braços e era ruiva, herança de uma das minhas irmãs; a outra tinha mais de um metro de altura. Mas ambas tiveram o mesmo trágico destino...

Cabelo? Esse era um grande problema. Eu acordava e amarrava de qualquer jeito pra não me atrapalhar quando corresse. Pente? Hahaha... Quando minha mãe pegava esse objeto estranho eu só queria correr... Vivia descabelada e parecia um menino, mas nem ligava pro que falavam. Enquanto a minha atual melhor amiga brincava com outra pessoa na praça de Barbie, Ken e etc, eu tava lá, no meio dos meninos, subindo nas árvores.

Eu brincava de futebol descalça e abria o dedão quando chutava o chão por engano. Brincava de corrida até tropeçar e cair, ou de esconde-esconde até o cachorro chato da vizinha morder minha panturrilha... essa minha mãe não sabe até hoje. Eu estava escondida atrás de um carro até que NHAC! Ele me mordeu. Sacudi a perna pra ele sair, corri pra "salvar o mundo", fui até a mangueira da garagem de casa e lavei o sangue que escorria da perna. Como não foi nada grave, botei dois band aids e voltei pra rua.

Outra coisa que eu adorava era inventar... criava brincadeiras, histórias e também mentiras pra escapar de algumas confusões, como a do dia em que pulei um portão pela primeira vez. Fui brincar de esconde-esconde e resolvi me esconder em uma casa abandonada do bairro. Mas, oh, não fui só eu que tive a brilhante idéia. Como o muro e o portão da casa eram baixos, foi o local que umas 10 crianças escolheram. Enquanto a maioria subia pelo muro que, por ter um buraco, era mais fácil e rápido, vi um menino pular pelo portão. Pensei "ué, se ele pode, eu posso" e lá fui eu.

Eu vestia um novinho macacão-bermuda feito de jeans e uma blusinha sei lá que cor e ouvia a contagem regressiva de quem ia procurar cada vez mais próxima do fim. Afoita, subi correndo aquele portaõzinho preto de 1,5m de altura com lanças brilhantemente prateadas. Ah, se eu tivesse prestado mais atenção a elas... Com toda minha coragem de uns 7 ou 8 anos de molecagem, cheguei ao topo do portão e pulei com tudo rumo ao chão... mas não cheguei até ele. Sem entender direito, olhei pra baixo, para os lados, para trás e percebi que minha bermuda tinha enganchado em uma lança do portão. Tive um minuto de susto pensando que podia ter rasgado minha perna em vez do macacão. Mas como ouvi o "lá vou eeeeu", me soltei da lança, pulei e me escondi junto com os meninos, que me olhavam assustados e sem saber se riam ou não. E assim não fui descoberta. Nem pelo que garoto que batia cara nem pela minha mãe, que quase bateu em mim quando viu o estado em que voltei da rua "sem saber" como aquilo tinha acontecido com a roupa...

Um comentário:

  1. Macaca sem macacão! uuhuauhua
    Quem mandou!?
    Ah, lembranças de infância.
    Belo texto!

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