sábado, 4 de julho de 2009

Aqui jaz

Está lá. Morto e estirado em meio a cidade, mas quase ninguém o percebe. Está sujo e irreconhecível. Maltratado. Dizem que era bonito e alegre, quando vivo. Corria por quilômetros - incansável - e fazia a alegia de muitos.

Mas ele foi se deteriorando com o tempo, por causa das más companhias. Obrigaram-no até a mudar de rumo. E com o tempo ele foi se habituando a viver em meio ao lixo. E o lixo se acostumou a viver com ele. Ou nele. E era lixo de todo tipo...

Frequentemente ele perdia o controle e transbordava em lágrimas - escuras e espessas. Não suportava mais viver assim. Até que morreu. Ou melhor, foi morto. Triste sina e triste cena.

Hoje está lá, o cadáver estendido. Fedido e gelado. Sem vida. Seu nome era Rio Pinheiros. Aqui jaz.

3 comentários:

  1. Nossa, que demais. Adorei o final, deu um up na história. ^^
    Gosta de contos, te dou uma dica, já viu as revitinhas novas da Turma da Monica? Estão com cara de mangá. Linda linda. Comprei a edição #23 essa semana. Já aproveitei e comprei uma revistinha da Tina que vi lá, sempre quis uma revistinha dela. hehe
    Beijinhos

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  2. Parabéns. Incríveis e belas palavras. Servem como protesto sobre algo que nunca mais volta. Lamento muito. Luto eterno.

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